Salário bruto x líquido em 2026: o que muda com a isenção do Imposto de Renda
Por Equipe Editorial da Calcaza · 05 de jun. de 2026
Resumo
O salário bruto é o valor combinado no contrato; o salário líquido é o que de fato cai na conta depois dos descontos obrigatórios. Para quem trabalha com carteira assinada (CLT), os dois descontos que sempre aparecem no holerite são a contribuição ao INSS e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Em 2026 entrou em vigor a maior mudança recente nesse cálculo: a isenção total do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 por mês, com uma redução parcial até R$ 7.350.
Este guia explica como cada desconto funciona, por que duas pessoas com o mesmo salário bruto podem receber valores líquidos diferentes e o que a regra de 2026 muda na prática.
O que é salário bruto e salário líquido
O salário bruto é a remuneração antes de qualquer desconto: é o número que costuma aparecer na proposta de emprego e na carteira de trabalho. A partir dele saem os descontos obrigatórios (INSS e, quando há imposto a pagar, IRRF) e os descontos opcionais combinados com o empregador (plano de saúde, vale-transporte acima do limite legal, adiantamentos, contribuição sindical autorizada, entre outros).
O salário líquido é o que sobra depois de tudo isso — o valor que efetivamente é depositado. Por isso, dizer "ganho R$ 4.000" pode significar coisas bem diferentes dependendo de quantos dependentes a pessoa tem e de quais descontos opcionais ela aceitou.
Vale lembrar que o FGTS não é descontado do salário: ele é depositado pelo empregador (8% sobre o salário bruto) em uma conta na Caixa Econômica Federal e não reduz o líquido do mês.
A grande mudança de 2026: isenção do IR até R$ 5.000
A Lei nº 15.270/2025 criou um redutor do Imposto de Renda que, na prática, zera o IRRF de quem recebe até R$ 5.000 por mês. Para quem está na faixa de R$ 5.000,01 a R$ 7.350,00, há um redutor que diminui de forma gradual até chegar a zero em R$ 7.350. Acima de R$ 7.350, o imposto segue a tabela normal, sem redutor.
Um ponto importante: isenção do IR não significa que o salário líquido é igual ao bruto. O desconto do INSS continua existindo normalmente para todo mundo que tem carteira assinada, inclusive para quem está isento de Imposto de Renda. Ou seja, mesmo quem ganha R$ 3.000 e não paga um centavo de IR ainda tem o INSS descontado do holerite.
Como o desconto é calculado (INSS + IRRF)
O INSS de 2026 usa uma tabela progressiva por faixas: 7,5% até R$ 1.621,00, 9% sobre a parte entre R$ 1.621,01 e R$ 2.902,84, 12% entre R$ 2.902,85 e R$ 4.354,27 e 14% entre R$ 4.354,28 e o teto de R$ 8.475,55. Cada alíquota incide apenas sobre a parcela do salário dentro daquela faixa, e não sobre o salário inteiro. Quem ganha acima do teto paga sempre o desconto máximo, de R$ 988,09.
O IRRF é calculado sobre uma base, e não sobre o salário bruto direto. Essa base é o salário menos o INSS e menos a dedução por dependente (R$ 189,59 por dependente em 2026) — ou, alternativamente, o salário menos o desconto simplificado de R$ 607,20, o que for mais vantajoso para o trabalhador. Sobre essa base aplica-se a tabela do IRRF e, por fim, o redutor de 2026.
A ordem é sempre: primeiro o INSS, depois o IRRF sobre a base já com o INSS abatido. É por isso que aumentar o número de dependentes ou ter um INSS maior pode reduzir o imposto.
Exemplos práticos
Exemplo 1 — salário de R$ 3.000, sem dependentes
O INSS fica em torno de R$ 248,60. Como o salário é menor que R$ 5.000, o IRRF é zero pela regra de 2026. O salário líquido fica em aproximadamente R$ 2.751,40.
Exemplo 2 — salário de R$ 6.000, com 1 dependente
O INSS é cerca de R$ 641,51. Pela tabela, o imposto "cheio" seria por volta de R$ 512,72, mas o redutor de 2026 para essa faixa abate cerca de R$ 179,75, deixando o IRRF em torno de R$ 332,97. O líquido fica perto de R$ 5.025,52.
Exemplo 3 — salário de R$ 10.000, com 2 dependentes
Acima do teto, o INSS é fixo em R$ 988,09. Como o salário passa de R$ 7.350, não há redutor, e o IRRF segue a tabela normal — cerca de R$ 1.465,27. O líquido fica em aproximadamente R$ 7.546,64.
Erros comuns
- Achar que isenção do IR zera todos os descontos. O INSS continua, então o líquido nunca é igual ao bruto para quem tem carteira assinada.
- Confundir a alíquota da faixa com a alíquota sobre o salário todo. Tanto no INSS quanto no IRRF, a alíquota maior incide só sobre a parte do salário dentro daquela faixa.
- Esquecer o desconto simplificado. Quem tem poucos dependentes muitas vezes paga menos usando o desconto simplificado de R$ 607,20 — e a folha deve aplicar o que for mais vantajoso.
- Misturar com 13º e férias. Esses pagamentos têm regras próprias de tributação e não seguem exatamente o mesmo cálculo do salário mensal.
Fontes oficiais
- INSS / Previdência Social — tabela de contribuição e teto de 2026: gov.br/inss.
- Receita Federal — tabela do Imposto de Renda 2026: gov.br/receitafederal.
- Isenção do IR até R$ 5.000 — Lei nº 15.270/2025: planalto.gov.br.
Os valores deste guia são estimativas com base nas tabelas oficiais de 2026 e podem variar conforme descontos específicos da sua folha. Para uma conta exata do seu caso, use a calculadora de salário líquido ou consulte o setor de departamento pessoal da sua empresa.